sábado, 9 de maio de 2009

Relato de experiencia


RELATO DE EXPERIENCIA

No budismo, relato de experiência significa compartilhar com os companheiros de prática e também com os convidados das reuniões que fazemos para apresentarmos o Budismo de Nitiren Daishonin, as nossas transformações através da prática budista. A transformação das circunstâncias de vida pela nossa oração principal que é o nam myoho rengue kyo.
Muitas pessoas querem uma religião para acabar com os sofrimentos da vida, mas isso não existe, a partir do momento que somos seres humanos, os obstáculos, as dificuldades, surgem infalivelmente. Mas, no budismo, aprendemos primeiramente, a causa do sofrimento inerente na vida de todo ser humano que são:- O nascimento
A doença
A velhice
E a morte
Através da nossa pratica, podemos amenizar os efeitos de causas cometidas por nós mesmos, pois no budismo não existe um Deus que pune (Deus quis assim) ou um Deus que dá (Se Deus quiser), nós somos responsáveis pelos nossos pensamentos, palavras e ações e recebemos o efeito deles infalivelmente.
Eu comecei minha busca espiritual aos doze anos de idade. O primeiro lugar que frequentei de forma voluntaria _ eu digo voluntaria, pois quando era criança fui levada à Igreja católica, porque é assim que acontecia com a maioria das famílias _ foi a umbanda, o toque do tambor mexia comigo,mas com o tempo, vi que minhas indagações não eram respondidas.Fui também na Seishonoie, frequentei por uns dois anos a Ordem Rosa e Cruz a qual gostei muito dos ensinamentos, aprendi muito, mas ainda assim ficava um vazio em minha alma no dia a dia.Depois fiz o curso básico na Gnose,que também foi muito gratificante.Caminhei por vários espaços esotéricos, fiz curso básico de Kabala, magia,fiz curso de Tarô, mas não me sentia bem quando o assunto era cobrar pela leitura, pois há uma frase na bíblia que diz: Daí de graça e recebeste de graça, e, a minha intuição era de graça, eu não pagava por ela e não seria justo cobrar por isto.Aprendi numerologia e achei muito interessante, pois a numerologia é algo racional através dos números do nome dá pra saber muitas coisas inclusive se a pessoa tem tendências a vicios, a homossexualidade, sexualidade, enfim, muitas coisas, porém, como transformá-las, na verdade, como erradicá-las,com estas informações, dá apenas para contorná-las ou evitá-las, mas não eliminá-las.Frequentei também o Circulo Esotérico da Comunhão do Pensamento o qual também foi muito produtivo para o meu crescimento espiritual.Li muitos livros como os do Trigueirinho,Lubsang Rampa, Eliphas Levi,alguns livros espíritas, etc.
Comeci a frequentar um centro espírita para me desenvolver, pois achei que minha missão era trabalhar para o próximo... Sentia um vazio em minha alma, é como se sempre algo estivesse faltando, mas vi que aquilo não me pertencia, foi aí que decidi que iria procurar um templo budista, se gostasse, iria abrir mão de tudo na vida e virar uma monja. Tudo é muito místico, por incrível que pareça, não consegui encontrar nenhum, o que eu encontrei foi o Budismo de Nitiren Daishonin. Já tinha ouvido falar antes, mas nunca me interessei. Em seis meses de pratica provisória eu já estava convertida, isso foi em 2000. O Budismo respondeu todas as minhas dúvidas de forma coerente e racional, me tirou do conformismo de que outras religiões ensinam como, por exemplo: Se você sofre é porque Deus assim quer e tem um propósito em sua vida ou ainda, é seu carma, você precisa passar por isso. No budismo também se fala em carma, mas a diferença é que, se o carma for muito pesado, nós podemos amenizá-lo e até mesmo erradicá-lo de nossa vida, e tudo através de uma única oração que é o NAM MYOHO RENGUE KYO. Eu tive a boa sorte de procurar o budismo pelo amor e não pela dor. O maior beneficio que a prática me deu, foi extrair de mim a coragem necessária para ter um filho. Sempre tive pavor de hospital, de injeção, imagina só se eu ia quere ter um filho e sentir toda aquela dor que as mulheres sentem?
E foi o que ocorreu, aos 40 anos de idade, decidi engravidar. Meu relacionamento não era lá grande coisa, Mas como ele é uma um ser humano muito bom, íntegro, trabalhador, decidi que ele seria um bom pai. Disse a ele que queria engravidar, mesmo que não ficássemos juntos eu queria ter um filho, pois tinha certeza de que ele seria um bom pai. Imagina só se ele queria... rsrsrs. Parei de tomar anticoncepcional, nós estávamos brigados, mas num dia, nos encontramos e saímos... E por incrível que pareça, foi neste exato momento que tive a certeza de que havia engravidao, foi muito estranho, é como se eu sentisse o óvulo ser fecundado, foi “mágico”. No final da geravidez pedi pra ele começar a dormir em casa pois se eu passasse mal, ele estaria ali bem perto pra me levar ao hospital.E assim ele fez e etamos juntos até hoje.Meu filho está com quatro anos.Ele é saudável, educado, inteligente e muito amado por todos.Pela minha idade, minha gravidez seria de risco, mas não foi. Não tive pressão alta, diabete e engordei apenas sete quilos. Não tinha convenio e tive meu filho num hospital público. Vi a boa sorte de fazer Daimoku neste momento, pois fiquei num quarto com mais duas mamães, as duas gemiam de dor, eu não senti nada, é claro que doía um pouco pra levantar e ir ao banheiro, mas nada insuportável. A enfermeira que cuidou de mim era ótima, mas a enfermeira que entrou pra cuidar da outra era estúpida e sem paciência. Fiquei sabendo que no quarto ao lado uma enfermeira ao dar banho num recém nascido destroncou seu braço, uma outra ao ir ao banheiro caiu, ouvimos o barulho mas ninguém deixou a gente saber de nada.Neste exato momento eu pude sentir a proteção dos deuses budistas.Tenho uma imensa gratidão pelas pessoas que um dia me apresentaram o budismo e aos três presidentes da SGI, pois sem eles este budismo não teria se propacagado principalmente ao atual presidente Sr. Daisaku Ikeda,Pois graças ao seu empenho o Budismo de Nitiren Daishonin está presente em 190 países e territórios.
Obrigada por permitirem que eu compartilhasse um pouquinho da minha trajetória de vida.
De coração a coração.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Buda X Deus


O budismo acredita em Deus?
O Professor Makiguti dizia: "Não julgue o desconhecido". Isso é o budismo.

Inicialmente é bom esclarecermos que Buda não é Deus. A palavra "Buda" significa "o iluminado". Ou seja, um Buda é aquele que se iluminou para a verdade da vida.

Para os cristãos, o 'inexplicável', ou os fenômenos do universo, é atribuído a Deus, que vive no céu e dita as regras da Terra. No budismo, os fenômenos são atribuídos a uma Lei que rege o universo. Essa Lei é denominada NAM MYOHO RENGJE KYO através da compreensão a lei de causa e efeito.

Segundo os ensinamentos budistas, tudo na vida é regido pela lei de causa e efeito existente no universo. Os sofrimentos e a felicidade existem na vida de cada pessoa e se manifesta de acordo com a força positiva ou negativa que cada um carrega. Entretantoa a lei que rege o universo não é punitiva, é justa, equilibrada, rigorosa e venevolente, pois cada pessoa recebe o que determinou.

O importante em cada religião é o respeito mútuo. Desconsiderar a existência de Deus para um cristão por sermos budistas é desrespeitar a pessoa e sua fé. Com base nisso devemos estudar o budismo para que possamos defender nossa fé convictamente, sem, no entanto, desrespeitar a fé dos outros.

PARABÉNS JOVENS DA BSGI

PARABÉNS PELA MAGNIFICA APRESENTAÇÃO NO DIA TRES DE MAIO DE 2009.
RELEMBREM SEMPRE O JURAMENTO DE MESTRE E DISCIPULO, DIA APÓS DIA.
POR MAIS TURBULENTO QUE SEJA O OCEANO DA VIDA, VOCÊS POSSUEM UMA BUSSOLA
INFALIVEL QUE OS LEVARÁ EM TERRA FIRME. ESTA BUSSOLA É O
NAM MYOHO RENGUE KYO

CAMINHEM DESTEMIDAMENTE RUMO AO KOSSEN RUFU (PAZ MUNDIAL)
VENÇAM INFALIVELMENTE.

DE CORAÇÃO A CORAÇÃO.

ODE A ESPERANÇA

video

unicidade de mestre e discipulo


Unicidade de mestre e discípulo A eterna relação de mestre e discípulo, que dedicam a própria vida ao grande juramento do
Kossen-rufu
O budismo é um ensino transmitido pela relação de mestre e discípulo. A unicidade
(compromisso) selada entre o mestre e o discípulo é a essência da prática budista. Se nos
esquecermos dessa relação, não poderemos atingir o estado de Buda nem a felicidade absoluta;
muito menos seremos capazes de realizar o Kossen-rufu. A razão é simples: a Lei é transmitida
por meio do laço que une o discípulo a seu mestre. O budismo é a lei da vida, e a lei da vida não
pode ser transmitida apenas por palavras ou conceitos.
A herança da suprema Lei da vida e da morte flui nas pessoas que se dedicam pelo Kossen-rufu e
que têm como base o caminho de mestre e discípulo. Por favor, não se esqueçam de que sem a
relação de mestre e discípulo, o fluxo dessa herança é interrompido.
O desejo do mestre é o grande desejo do Kossen-rufu
Eu, Nitiren, tenho me dedicado a despertar todas as pessoas do Japão para a fé no Sutra de
Lótus de modo que elas também compartilhem essa herança e atinjam o estado de Buda.
Entretanto, em vez disso, elas têm me perseguido de várias formas e, por fim, baniram-me
para esta ilha [de Sado]. Todavia, o senhor seguiu Nitiren e, como resultado, enfrentou
sofrimentos. Aflijo-me profundamente ao pensar em sua angústia. O ouro não pode ser
queimado pelo fogo, tampouco corroído ou destruído pela água, mas o ferro pode. Uma
pessoa nobre é como o ouro, ao passo que o tolo é como o ferro. O senhor é como o ouro
puro porque abraça o “ouro” do Sutra de Lótus. O sutra afirma: “Assim como o monte
Sumeru é a mais alta de todas as montanhas, este Sutra de Lótus é o mais elevado de todos
os sutras”.1 O Sutra também declara: “A boa sorte que o senhor acumula por isso... não
pode ser destruída pelo fogo nem corroída pela água”.2
Devem ter sido os laços cármicos do distante passado que fizeram com que o senhor se
tornasse meu discípulo numa época como esta. Sakyamuni e Muitos Tesouros, com certeza,
atestam esse fato. A declaração do Sutra de que “As pessoas que ouviram a Lei habitaram
vários lugares, várias terras do Buda e, constantemente, renasceram em companhia de seus
mestres”,3 não pode, de maneira alguma, ser falsa. (Os Escritos de Nitiren Daishonin
[END], v. 3, págs. 177-178.)
No início desta parte que vamos estudar, Nitiren Daishonin revela o espírito do mestre na relação

VIDA, NOSSO MAIOR TESOURO


“Porque nascemos‏

Todos têm uma missão. É por essa razão que nascemos. É por isso que, independentemente do que aconteça, devemos prosseguir na vida superando tudo. A palavra japonesa que designa missão significa "uso da própria vida". Para qual objetivo usamos nossa vida? Qual o objetivo de termos nascido neste mundo, enviados pelo universo? Por que fomos enviados para cá?

O budismo considera o universo como uma gigantesca entidade. Se o compararmos ao vasto oceano, cada vida é como uma onda nesse oceano. A vida é quando as ondas se levantam na superfície do oceano, e quando ela volta é a morte. A vida e a morte são unas com o universo. No nascimento de uma única vida, há a aprovação e cooperação do universo inteiro.

Todas as vidas são igualmente preciosas. Não podemos aplicar uma hierarquia ao valor da vida, tornando uma mais valiosa que outra. Cada vida é única. A vida de cada pessoa é tão valiosa quanto o universo, é uno com a vida do universo e tem a mesma importância. Nitiren Daishonin declara: "A vida é o maior de todos os tesouros." (The Writings of Nichiren Daishonin, pág. 1125.) E diz ainda: "O Buda diz que a vida é algo que não pode ser comprado nem pelo preço de todo um sistema maior de mundos." (Ibidem, pág. 983.) E "Um dia de vida é mais valioso que todos os tesouros do sistema maior de mundos." (Ibidem, pág. 955.)

É por essa razão que não devemos tirar nossa própria vida. É por isso que não devemos recorrer à violência, que não devemos ferir nem agredir os outros. Ninguém tem o direito de prejudicar o precioso tesouro que é a vida.

Mas sim direcionar, fortalecer, ensinar, o caminho para uma vida digna de ser vivida, sem medos sem arrependimentos
Mas neste caminho muitas vezes as coisas são dolorosas e até insuportáveis, mas temos que vencer pois é a única coisa que viemos fazer aqui
Neste mundo , mostrar as pessoas que mesmo tendo que suportar sofrimentos monstruosos e que até parece insuperável , conseguimos vencer através da forca de nossos corações e orações , nunca caia , nunca desista , levante-se sempre, esta é a sua missão.

Eis aqui a grande força do universo o Daimoku do sutra de lótus”.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

ETERNIDADE DA VIDA


A vida sem começo e sem fim
A visão da eternidade da vida não é com certeza única do budismo, mas amplamente aceita entre muitas antigas religiões indianas. O budismo revelou a Lei de Causa e Efeito que atua por todos os lados desse eterno fluxo da vida. Porém, essa visão ainda se baseia no fatalismo ou no determinismo e praticamente nega a existência do livre arbítrio. Aprofundando ainda mais na lei da causalidade, o Sutra de Lótus ensinava que as pessoas possuem um poder inerente com o qual podem desafiar o destino e romper as correntes.

As causas cometidas no passado produzem no presente os efeitos correspondentes e as ações do presente formam por sua vez o futuro da pessoa. Porém, uma vez que a vida da pessoa neste mundo está predestinada como conseqüência das causas passadas, não se pode mudar o destino para melhor. Sem voltar para o passado e transformar essas causas, nada há a fazer a não ser conformar-se com as circunstâncias do presente. Mas é impossível repetir o passado e, portanto, mudar o presente. Essa é a visão comum do destino.

Em contraste, o Sutra de Lótus esclareceu a realidade da vida eterna e imutável que existe independentemente do carma criado de acordo com a lei da causalidade e ensinou que é possível mudar o destino da pessoa e também o futuro fazendo essa vida aflorar. Para que as pessoas compreendessem isso, o Sutra de Lótus esclareceu o sistema pelo qual a vida e a lei funcionam apresentando uma análise detalhada da vida.

O conceito da eternidade da vida não pode ser compreendido com facilidade pelas pessoas da época atual, apesar de ter sido parte integrante das antigas religiões indianas. Essa é uma das questões mais controversas. Além do mais, é praticamente impossível comprovar cientificamente a eternidade da vida. Se os cientistas quiserem analisar o estado em que a vida continua após a morte, deverão primeiro compreender o que a vida realmente é. Mas ainda não há nenhum método científico para compreender a qualidade essencial da própria vida.

É necessário julgar as hipóteses religiosas e verificar como elas explicam o fenômeno da vida, que parece ser inexplicável à limitada inteligência humana. O conceito budista de que a vida é eterna e que, no entanto, passa por constantes transformações de uma forma para outra é a explicação mais lógica para justificar as diferenças entre os vários destinos dos seres humanos desde o momento do nascimento. As pessoas nascem em diferentes condições e circunstâncias, e devem transformá-las se quiserem alcançar a felicidade. Se uma existência anterior não tiver sido postulada para uma pessoa viva no presente, o destino ou carma dessa pessoa deve ser atribuído a outro ser absoluto e sobrenatural, ou ao puro acaso. A hereditariedade não é a única responsável pelas diferenças individuais, pois diferenças existem até mesmo entre filhos dos mesmos pais. Concluindo, a explicação mais razoável diz que a vida continua eternamente, dependendo da lei do carma ou de causa e efeito que opera no passado, no presente e no futuro.


Texto extraído do livro "Fundamentos do Budismo", Editora Brasil Seikyo, © 2004. Direitos reservados. É proibida a reprodução de texto e imagens contidos nesta publicação

ESHO FUNI


A unicidade da pessoa e seu meio ambiente
A relação entre a vida humana e seu ambiente é explicada em termos de Esho Funi, ou a Unicidade da Vida e seu Ambiente. Esho é a contração dos termos em japonês eho e shoho. Eho indica o ambiente insensível, ou mundo objetivo, e Shoho, a personalidade ativa, ou mundo subjetivo. A sílaba ho significa o efeito manifesto, ou os resultados do carma. Os efeitos do carma de um ser vivo manifestam-se tanto em sua vida subjetiva com em seu ambiente objetivo.

Uma vez que funi significa “dois no fenômeno mas não dois na essência”, Esho Funi quer dizer que a vida e seu ambiente são dois fenômenos distintos mas apenas um em sua essência. As pessoas e seu ambiente são inseparáveis, mas Esho Funi como conceito vai além de indicar apenas a relação inseparável entre ambos.

Muitas pessoas sentem hoje como se não estivessem em equilíbrio com seu meio ambiente, o que parece simplesmente resultar em infelicidade. Mas foi a humanidade que seguiu contra o ritmo do mundo natural, poluindo-o e causando uma crise que começou a manifestar suas conseqüências no meio ambiente. A Unicidade da Vida e seu Ambiente é um princípio que sugere como as pessoas podem influenciar e reformar seu ambiente por intermédio de uma mudança interior, ou a elevação de seu estado de vida. Nesse princípio está contida a idéia de que assim como o ambiente influencia o indivíduo, este também pode causar uma mudança no ambiente.

O ideal é que os seres humanos vivam em harmonia com seu meio ambiente. A pessoa cria sua própria existência única de acordo com as leis da individualização e forma um ambiente único que seja compatível com ela. Mas a formação do ambiente deve coincidir com o surgimento da vida neste mundo; uma pessoa não pode surgir simplesmente flutuando no espaço, sem um ambiente. Cada um de nós tem um ambiente e, no entanto, cada um é essencialmente distinto. Portanto, todos nos relacionamos com nosso ambiente de modo diferente. A maneira como vemos o ambiente difere dependendo de nosso estado de vida e de nossas circunstâncias.

O meio ambiente é um reflexo da vida interior do indivíduo que nele habita. Esse ambiente assume as características que estão de acordo com a condição de vida do indivíduo em questão. Em outras palavras, a vida estende sua influência ao seu redor.

O princípio de Itinen Sanzen inclui a Unicidade da Vida e seu Ambiente. De acordo com os Três Domínios da Individualização da Vida, Shoho corresponde aos Cinco Componentes e ao Ambiente Social e Eho, ao Ambiente Natural. A consciência do ser vivo pode ser descrita como Shoho e os outros quatro dos Cinco Componentes — Forma ou corpo, Percepção, Concepção e Volição — existem para fazer com que o indivíduo interaja com outros seres vivos e com o ambiente natural, que juntos formam o eho. O Itinen Sanzen revela que tanto o Shoho como o Eho são inerentes num único momento da vida. O budismo considera que a vida abrange uma vasta extensão de influência e de atividade que integram tanto os seres vivos como seu ambiente.

Texto extraído do livro "Fundamentos do Budismo", Editora Brasil Seikyo, © 2004. Direitos reservados. É proibida a reprodução de texto e imagens contidos nesta publicação

FELICIDADE


O significado da felicidade
Quando as necessidades ou desejos de uma pessoa são realizados, ela sente felicidade, mas a simples realização dos desejos não pode sustentar este sentimento de felicidade. Mesmo apesar de não estar totalmente satisfeita com sua vida atual, pode sentir que é mais feliz do que antes. Porém, ninguém é continuamente feliz. Por melhor que seja a situação, há também momentos ruins.

Tal felicidade é essencialmente relativa. Uma felicidade mais profunda e duradoura não depende do objeto do desejo ou da necessidade, nem do próprio passado, nem da vida do vizinho, tampouco de qualquer outro fator externo. O principal ingrediente para essa felicidade encontra-se na própria vida. A felicidade está diretamente relacionada ao grau em que se pode extrair a própria força vital e à esperança no futuro. De maneira contrária, se uma pessoa não tem essas qualidades, ela compara o seu presente com o passado ou com o seu ambiente. A felicidade por comparação é, na verdadeira essência do termo, a “felicidade relativa”.

Para compreender a diferença que pode fazer a própria força vital, imaginemos dois alpinistas. Escalar um pico escarpado infligiria uma dor insuportável a uma pessoa comum, mas pode proporcionar um prazer inesquecível a um alpinista. Quanto mais alto, escarpado e difícil for o penhasco, maior a alegria e satisfação de desafiá-lo e conquistá-lo. As dificuldades na vida são como uma montanha escarpada. Se a pessoa encontra a felicidade apenas no conforto, evitará muito do que vale a pena na vida. Tal atitude é essencialmente negativista e escapista. Quando chegamos a tal ponto, o conforto é um período de descanso e não é acompanhado por uma grande dor nem por uma profunda alegria.

Todas as atividades humanas objetivam a felicidade. O budismo, assim como as outras religiões, ensina às pessoas como viver para conquistarem uma vida feliz. No entanto, muitas religiões encorajam seus crentes a orarem para que algo místico, uma força transcendental, elimine os problemas da vida. Então, se as pessoas são religiosas ou não, também tentam com freqüencia evitar as dificuldades e os problemas. O budismo mostra o caminho para uma nova vitalidade e uma profunda sabedoria, ensinando que os seres humanos devem inspirar-se a desafiar, e não a evitar, quaisquer dificuldades que enfrentarem e transformá-las em felicidade com o desenvolvimento de sua própria força vital. Superar o sofrimento em vez de fugir dele é uma atitude criativa de desafio e coragem, e é essa atitude que leva à felicidade absoluta.

Texto extraído do livro "Fundamentos do Budismo", Editora Brasil Seikyo, © 2004. Direitos reservados. É proibida a reprodução de texto e imagens contidos nesta publicação

O Budismo e a Sociedade


O budismo e a sociedade
O budismo e a sociedade
(Brasil Seikyo, edição nº 1927, 16/02/2008, página A8.)


A SGI, presente em 190 países e territórios, completou neste ano 33 anos de existência. Ela possui mais de 12 milhões de integrantes que praticam o Budismo Nitiren. Isso é extraordinário, considerando que esse budismo possui 754 anos de existência, e foram somente nos últimos 70 anos que ocorreu esse desenvolvimento.

Sem dúvida alguma, esse é o resultado dos incansáveis esforços dos três primeiros presidentes da Soka Gakkai, em especial, do terceiro e atual presidente da SGI, Daisaku Ikeda. Por meio de seu próprio exemplo, ele tem ensinado aos integrantes da SGI que o “budismo é a própria sociedade”, liderando-os na propagação desse budismo em todo o mundo.

Podemos afirmar também que o budismo e a sociedade são unos. O budismo é como se fosse o corpo e a sociedade sua sombra. A fé equivale à vida diária e se manifesta diretamente na sociedade. O segundo presidente da Soka Gakkai, Jossei Toda, dizia que para impulsionarmos o movimento do Kossen-rufu e conquistarmos a confiança na sociedade precisamos fazer de nossas interações com os outros o fundamento de nossa vida. “Não estamos vendendo nenhum produto físico, mas, sim, nós mesmos como indivíduos”, ele dizia.

Precisamos conversar com as pessoas a respeito de nossa fé e convicções com sinceridade à nossa própria maneira, com o orgulho de sermos os supremos defensores da humanidade, afirma o presidente Ikeda.

Uma das diretrizes eternas da Soka Gakkai é a “Prática da fé para a felicidade individual”. Por meio da comprovação pessoal é que propagamos o budismo entre as pessoas de nosso convívio. O presidente Ikeda afirma: “Nós podemos definitivamente nos tornar felizes. Esta é uma promessa de Daishonin. A fé equivale à vida diária. Enquanto nos empenhamos corajosamente na sociedade, estamos propagando o Kossen-rufu pelo bem da Lei e pela felicidade dos seres humanos. Como resultado de nossos esforços, um grandioso benefício brotará em nossa vida. E também podemos conduzir outras pessoas ligadas a nós ao caminho da felicidade”.

Sendo assim, concluí­mos que o “budismo e a sociedade” formam um só corpo e estão inseridos em nossa realidade. Praticar este budismo em meio à sociedade é uma oportunidade de mostrar a todos que, baseados numa maravilhosa filosofia de vida, podemos realmente transformar a vida, conquistar a verdadeira felicidade e paz e, tal como o sol, iluminar a vida das pessoas, influenciando-as positivamente.

Nitiren Daishonin afirma em um escrito: “Mesmo que uma pessoa não pratique este budismo, se simpatiza e compreende aqueles que praticam e se alegra pelo fato da Lei Mística se propagar em seu país, então isso, em si, se tornará um grande elo ou relação com o budismo. Sendo assim, essa pessoa será envolvida por uma imensa boa sorte e felicidade”.

O desafio de cada integrante da SGI é viver como bons cidadãos de pura fé e, com base na unicidade de mestre e discípulo, comprovar a veracidade deste budismo na sociedade e formar o maior número de amigos da Lei Mística.

Fontes:
• Fundamentos do Budismo.

• Brasil Seikyo, edição no 1.743, 10 de abril de 2004, pág. A3.

• Coletânea de Orientações, vol. 1.

• Brasil Seikyo, edição no 1.726, 6 de dezembro de 2003, pág. A3

Carma
No Ocidente, costuma-se associar a palavra “destino” a carma. Contudo, “destino” e “carma” possuem bases de ensinamentos e crenças totalmente distintas.

Entre alguns dos significados da palavra “destino” estão: encadeamento de fatos supostamente fatais, fatalidade; fado, sorte ou ainda, entidade misteriosa que determina as vicissitudes da vida.1 Esse termo está intrinsecamente ligado à crença da existência de um ser supremo, que predetermina para cada ser uma sorte e condições diversas, conforme sua vontade e consideração. Cada pessoa vive sua existência sobre trilhos já preestabelecidos. As pessoas, nesse caso, são meros coadjuvantes numa grande peça teatral na qual não lhes cabe a opção de alterar seu roteiro.

A palavra “carma” tem sua origem no sânscrito karma ou karman e significa “ação”. O budismo prega que a vida é eterna e que é o carma que determina a trajetória de uma pessoa, ou seja, as ações por ela praticadas é o que traça sua sorte nesta existência e nas futuras, assim como suas ações de um tempo passado são os fatores que definiram sua realidade atual. Ao estabelecer um paralelo com o termo “destino”, pode-se dizer que carma é uma espécie de destino que está constantemente sendo atualizado e alterado conforme as ações do indivíduo, sendo ele o único responsável, tanto pelo presente como pelo futuro. Neste caso, cada pessoa é protagonista de sua grande peça na qual ela própria é roteirista e diretor.

As ações às quais o budismo se refere são identificadas como três: física, verbal e mental. Isso significa que uma pessoa forma o carma pelos seus atos, suas palavras e seus pensamentos. Mesmo que não se traduza os pensamentos em palavras ou atos, e mesmo que ninguém mais saiba, essa “ação” em si já registrou um efeito para sua vida. Outro princípio budista a ser observado é a lei de causa e efeito que elucida que toda causa produz ou registra seu efeito no exato momento em que foi praticada, sendo que esse efeito pode se manifestar imediatamente na vida da pessoa, num tempo futuro, na existência seguinte ou mais além, dependendo do grau de importância dessa causa, tanto boa como má, e ainda conforme estímulos e condições externas. Para cada causa, haverá sempre um efeito correspondente.

A seqüência para a formação do carma ocorre da seguinte maneira: primeiramente, as intenções —tanto positivas como negativas— agem na mente da pessoa. Em seguida, essas intenções originam palavras ou ações manifestas. Os efeitos dessas causas (pensamentos, palavras ou ações) ficam registrados na vida como uma espécie de força ou energia latente que irá compor seu “destino”.

O grau do carma que a pessoa forma depende da força da intenção. Quanto maior for, mais intenso será esse registro. Por exemplo, quanto maior o ódio que uma pessoa alimenta, maior será o grau do efeito que se manifestará em sua vida. Conforme os pensamentos ou intenções vão sendo expressos em palavras ou ações, o grau do carma formado torna-se cada vez maior. A quem é direcionado esse ódio também é um fator que deve ser considerado. No Gosho “Carta aos Irmãos”, Nitiren Daishonin exemplifica essa questão: “Para simplificar, se alguém golpear o ar, seu punho não ficará ferido, mas se bater numa rocha, sentirá dores... A gravidade de um pecado depende de quem ferimos.”

Todo o carma formado a cada instante da vida é acumulado num repositório chamado alaya, ou oitava consciência. Todas as experiências são depositadas nessa consciência e elas o acompanham por todas as existências, passando pelo ciclo de nascimento e morte. As ações cármicas, positivas e negativas, continuarão a existir na consciência alaya até que encontrem situações propícias para manifestar seus efeitos. A força dessas ações depositadas como energia latente nunca diminui nem desaparece por si só. Ela sempre se manifestará. Mas, como tudo depende de cada indivíduo, ele próprio possui as condições de transformar seu mau carma e direcionar sua vida para a felicidade, além de amenizar seus efeitos cármicos. O modo mais rápido para obter essa transformação é recitar o Nam-myoho-rengue-kyo, ou a Lei Mística que permeia todo o universo, e atuar em benefício de outras pessoas realizando o bem maior, ou ensinar-lhes o caminho dessa felicidade.

Nota:
1. Michaelis: Moderno Dicionário da Língua Portuguesa. São Paulo, Companhia Melhoramentos, 1998.
Fonte:
TERCEIRA CIVILIZAÇÃO, EDIÇÃO Nº 396, PÁG. 12, AGOSTO DE 2001.

Bom Amigo e Mau Amigo


Bons amigos e maus amigos
(zentishiki e akutishiki)
O objetivo da prática budista é atingir o estado de Buda (iluminação).

No budismo, uma pessoa que ajuda outra a atingir esse objetivo, ensinando-lhe sobre a prática ou encorajando-a na fé, é chamada de “bom amigo” ou “boa influência” (zentishiki, em japonês). Ao contrário, uma pessoa que impede e desencoraja outra em sua busca da iluminação é chamada de “mau amigo” ou “má influência” (akutishiki).

Em suas escrituras, Nitiren Daishonin aplica o termo “bom amigo” de várias maneiras. Em alguns casos ele o usa impessoalmente referindo-se ao Sutra de Lótus ou à Lei Mística. Em outros, ele o emprega com o significado de Buda, que tornou o caminho da iluminação acessível a todos. Porém, o termo é mais comumente utilizado para indicar uma pessoa que encoraja uma outra ao longo da prática da fé.

No 27º capítulo do Sutra de Lótus, Myoshogonno (Os feitos anteriores do Rei Adorno Maravilhoso), consta: “Um bom amigo é uma grande causa e circunstância. Em outras palavras, é aquele que ensina e guia outros, capacitando-os a adquirir a sabedoria do Buda e despertando-os para a iluminação.” Na escritura “Três mestres tripitaka oram por chuva”, Daishonin afirma: “Quando se transplanta uma árvore, mesmo que soprem ventos violentos, ela não tombará se tiver uma firme estaca para mantê-la em pé. Porém, mesmo uma árvore que cresceu em um lugar adequado pode cair se suas raízes forem fracas. Uma pessoa fraca não sucumbirá se aqueles que a apóiam forem fortes, mas uma pessoa de considerável força, quando só, poderá tropeçar num terreno irregular. (...)

“Portanto, o melhor modo de atingir o estado de Buda é encontrar um zentishiki, ou um bom amigo. Até onde a sabedoria de uma pessoa pode levá-la? Se essa pessoa possui sabedoria suficiente pelo menos para distinguir o quente do frio, deve procurar um bom amigo.

“Contudo, encontrar um bom amigo é algo muito difícil. Assim, o Buda comparou esse feito à raridade de uma tartaruga de um olho só achar um tronco de sândalo flutuante com uma cavidade com tamanho certo para comportá-la, ou à dificuldade de puxar uma linha do Céu Brahma e passá-la pelo orifício de uma agulha na Terra. Além do mais, nestes maléficos Últimos Dias, os maus companheiros são mais numerosos do que partículas de pó que compõem a terra, ao passo que a quantidade de bons amigos é menor do que a de grãos de poeira que se consegue amontoar sobre a unha de um dos dedos da mão.” (As Escrituras de Nitiren Daishonin [END], vol. 6, pág. 167.)

É uma grande alegria criar laços de amizade com pessoas que nos conduzem à correta prática da fé, incentivando-nos quando estamos desanimados, apontando nossas falhas quando necessário, compartilhando suas experiências e possibilitando-nos enxergar os fatos com uma visão mais ampla. Um dos propósitos de nossa organização é ajudar as pessoas a seguir o correto caminho da prática budista.

Por outro lado, um “mau amigo” é aquele que, intencionalmente ou não, dificulta ou então impede a nossa prática. Nitiren Daishonin usou freqüentemente o termo para referir-se aos mestres budistas que, deliberadamente ou por ignorância, distorciam os ensinos budistas e desencaminhavam as pessoas. Um mau amigo também pode ser alguém que concorda conosco mesmo quando estamos errados e não nos alerta.

Contudo, fundamentalmente, somos nós que determinamos se uma pessoa é um bom ou um mau amigo, isto é, se ela encoraja ou impede nossa fé. Tomemos como exemplo uma pessoa que nos critica e que faz de tudo para impedir nossa prática budista. Se nos sentirmos desencorajados a ponto de abandonarmos a prática, foi porque permitimos que ela agisse como um mau amigo. Mas se apesar de irados, magoados e entristecidos transformarmos esses sentimentos em um ímpeto para aprofundarmos ainda mais nossa fé no Gohonzon, foi porque enxergamos nessa pessoa um bom amigo.

O próprio Nitiren Daishonin demonstrou que isso é uma grande verdade. Ele disse: “Os melhores agentes positivos que ajudaram Nitiren a atingir a iluminação foram Tojo Kaguenobu, os bonzos Ryokan, Doryu e Doamidabutsu, Hei no Saemon e Hojo Tokimune. Sem eles, Nitiren não poderia ser o devoto do Sutra de Lótus.” (END, vol. 1, pág. 171.) O ideal seria considerarmos tudo que nos ocorre, os acontecimentos bons e maus, como um motivo para aprofundarmos a fé, tornando todas as pessoas que se relacionam conosco nossos bons amigos e, o mais importante, procurarmos ser bons amigos para aqueles que nos rodeiam.

Fonte:
TERCEIRA CIVILIZAÇÃO, EDIÇÃO Nº 403, PÁG. 10, MARÇO DE 2002.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

O Elefante Embriagado

O elefante embriagado

O Buda Sakyamuni tinha um primo chamado Devadatta que o invejava e, por isso, tentava destruí-lo a todo custo.

Certa vez, quando Sakyamuni e seus quinhentos discípulos estavam no castelo Raetsu, Devadatta convenceu Rei Ajase a participar de um plano para matar o Buda. Eles providenciaram para que um feroz elefante chamado Naguiri fosse preso, embriagado e solto no momento em que Sakyamuni estivesse passando pela rua.

O rei ordenou então que a população não saísse de casa na manhã seguinte. No entanto, algumas pessoas souberam da conspiração e alertaram o Buda.

Sakyamuni acalmou-se dizendo que nada de mal lhe aconteceria. No dia seguinte ele se dirigiu ao castelo do rei acompanhado de seus discípulos.

Quando Sakyamuni se aproximou do castelo, o rei ordenou que o elefante embriagado fosse libertado. Segurando uma espada em sua tromba, o elefante fora de si, avançou em direção a Sakyamuni e todos os discípulos, exceto Ananda, fugiram apavorados.

As pessoas que assistiram a tudo ficaram admiradas quando o elefante, tocado pela magnificência e benevolência do Buda parou de repente, ajoelhou-se diante dele e deixou cair a espada de sua tromba. E, assim Devadatta e o Rei Ajase fracassaram em sua tentativa de matar Sakyamuni.

Essa história mostra a extraordinária benevolência e a elevada condição de vida do Buda que não é abalada por nada.



(Fonte: Revista Terceira Civilização de abril/76 e Março de 2003)
Outras referências bibliográficas

terça-feira, 5 de maio de 2009

Lei de Causa e Efeito (4)


(Brasil Seikyo, edição nº 1596, 24/03/2001, página 6.)


Com a prática diária do Budismo de Nitiren Daishonin adquirimos força, coragem e sabedoria para vencer os sofrimentos e abrimos caminhos para viver de forma prazerosa sem as amarras do destino e, ao mesmo tempo, criamos imensuráveis causas que trarão benefícios para a existência presente e para as próximas.

A partir do momento em que mudamos a nossa maneira de visualizar a realidade, os obstáculos e os sofrimentos da nossa vida deixam de ser empecilhos e passam a ser oportunidades para o nosso desenvolvimento. Quando nos conscientizamos verdadeiramente disso, administramos nossa vida de forma diferente e o passado deixa de ser o foco de nossas atenções, pois não temos como apagar as causas realizadas, e passamos a fazer causas positivas para superar as negativas. O presente torna-se nosso palco principal, pois, de acordo com o budismo, o que realizamos agora, neste exato momento, definirá todo nosso futuro. Ou seja, quanto mais estivermos conscientes desta rigorosa Lei de Causa e Efeito, nossas atitudes serão mais responsáveis, benevolentes e agiremos com o máximo respeito com a nossa vida e a dos demais. Conseqüentemente, nossas ações criarão causas para um futuro glorioso, livre do medo e da insegurança e poderemos desfrutar uma felicidade indestrutível.

Nossa vida, apesar de parecer longa, é muito curta. Se permanecermos indolentes, ela passará instantaneamente como um sonho. Nós podemos vivê-la prazerosa e significativamente ou nos lamentando. Não importa que tipo de vida levemos, a rigorosa Lei de Causa e Efeito se manifestará infalivelmente. Portanto, seja qual for a situação atual, podemos tanto dar uma direção de felicidade como de infelicidade ao curso de nossa vida.

O presidente Ikeda escreveu: “A lei da causalidade não reside em algum outro lugar senão em nossa própria vida. É nossa crença no Gohonzon que faz tudo no Universo funcionar como desejamos. Devem estar firmemente convencidos dos ensinos de Daishonin — ‘aqueles que acreditam no Sutra de Lótus reunirão a fortuna de mil milhas distantes’.(...)

“Nós abraçamos o Dai-Gohonzon, o supremo objeto de adoração. Nada mais do que um infinito sentimento de gratidão me envolve toda vez que leio a passagem do Sutra de Lótus que diz: ‘Se o senhor deseja arrepender-se, sente-se ereto e visualize a verdadeira entidade da vida. Todos os pecados são como gelo e como as gotas de orvalho que rapidamente se evaporam sob os raios do sol da sabedoria.’ A escritura adverte: ‘Não desperdice sua vida com futilidades, pois se arrependerá por dez mil anos.’ Nitikan Shonin declarou na ‘Explanação sobre o Verdadeiro Objeto de Adoração’: ‘Uma vez que você perder seu corpo humano, será incapaz de recuperá-lo, mesmo que tente por dez mil eternidades. Não desperdice sua vida com futilidades ou se arrependerá por toda a eternidade’.” (Guia Prático do Budismo, págs. 6-8.)

Dessa forma, vamos utilizar esta Lei a nosso favor em todos os momentos da vida. Vamos elevar nossa condição de vida por meio da sincera prática da fé, vivendo cada dia com infinita esperança.


Fontes de pesquisa: Terceira Civilização, edição no 369, maio de 1999, “Causa e efeito: A lei mais rigorosa da vida”. Guia Prático do Budismo.

Lei de Causa e Efeito (3)


Lei de Causa e Efeito (3)
(Brasil Seikyo, edição nº 1595, 17/03/2001, página 6.)


Uma vez que temos consciência de que tudo que vivemos no presente é resultados de nossas ações do passado, o que devemos fazer? Não podemos ficar numa posição passiva, pois isso não nos levará a lugar algum. Devemos começar a fazer causas positivas que superem as negativas para colhermos resultados positivos no futuro.

Na obra Nova Revolução Humana, o presidente Ikeda enfatiza: “O budismo expõe que se uma pessoa comete algum mal contra seu semelhante terá de trilhar o curso da infelicidade como resultado dos atos negativos do passado. Entretanto, este é apenas um aspecto dos ensinos budistas. Se a vida se restringisse apenas a isso, as pessoas teriam de viver em constante insegurança justamente por não conseguirem saber as causas negativas de existências passadas, tendo de carregar inclusive um grande complexo de culpa. Além disso, o destino seria algo previamente delineado e provocaria nas pessoas o desinteresse pela própria vida, tornando-se adeptas de um modo de vida passivo no qual a única preocupação seria a de não cometer nenhum mal. O Budismo de Nitiren Daishonin transcende o limite da concepção superficial de causa e efeito, de castigo e recompensa, e revela a natureza real da causalidade e a forma como recuperar o estado de pureza da vida existente desde o infinito passado. Isso significa que uma pessoa deve viver em prol do Kossen-rufu consciente de sua missão como Bodhissattva da Terra.” (NRH, vol. 1, pág. 197.)

O presidente Ikeda também escreveu: “O presidente Toda disse o seguinte: ‘Se nessa fria lei de causa e efeito estivesse encerrado todo o budismo, então teríamos de considerar nosso destino fixo e imutável. Seríamos impelidos a viver passiva e timidamente para não cometermos algum outro ato errôneo. Uma lei superficial não tem nada a ver conosco que vivemos nos Últimos Dias da Lei. Nós necessitamos de uma lei suprema que nos habilite ultrapassar as barreiras das causas e efeitos para evidenciar a natureza de Buda inata em nossa vida. Foi Nitiren Daishonin quem, respondendo a essa necessidade, estabeleceu a Lei para demolir o destino que continua desde existências passadas e assim reconstruí-lo melhor. Isto é, a recitação do Nam-myoho-rengue-kyo é a fórmula da mudança da vida para um destino melhor.’

“Nitiren Daishonin reformulou a limitada visão da lei de causa e efeito e elucidou a lei da causalidade mais fundamental que permeia as profundezas da vida humana.(...)

“Mesmo que não tenhamos acumulado boa sorte alguma no passado, a partir do momento em que tomamos fé no Gohonzon estaremos dotados da causa e efeito para o estado de Buda. Nesse instante seremos capazes de abrir a porta para um futuro de ilimitada boa sorte. A chave para essa porta é a singular palavra fé.

“Numa escritura consta: ‘A lei de causa e efeito é como flores e sementes. Suponhamos que alguém lance fogo em uma área de mil milhas de campo de capim seco. Ainda que a chama seja débil como a luz de um pirilampo, ela instantaneamente consumirá uma porção de capim, duas, dez, cem, mil e dez mil porções mais. Todas as plantas de uma área de dez ou vinte acres serão queimadas em questão de segundos.’ Conforme essa frase, ainda que uma fraca chama seja jogada em um campo de capim seco, o fogo rapidamente se espalhará por toda a área. Da mesma forma, a lei budista da causalidade promete-nos que se a nossa fé brilhar vigorosamente, nunca falharemos em obter o caminho para um grandioso futuro. É como a flor de lótus que floresce apresentando simultaneamente suas sementes. É por essa razão que a lei da flor de lótus é chamada de lei da simultaneidade de causa e efeito. Aqui se assenta a razão pela qual o budismo de Nitiren Daishonin é a mais grandiosa e suprema religião do mundo.” (Guia Prático do Budismo, págs. 4-5.)


Fontes de pesquisa: Terceira Civilização, edição no 369, maio de 1999, “Causa e efeito: A lei mais rigorosa da vida”. Guia Prático do Budismo.

Lei de Causa e Efeito (2)


Lei de Causa e Efeito (2)
(Brasil Seikyo, edição nº 1594, 10/03/2001, página 6.)


Um ponto importante ao analisarmos a Lei de Causa e Efeito é que ela reside em nossa própria vida e não em algum outro lugar. Em outras palavras, fazemos as causas que queremos e recebemos os efeitos que merecemos. Por mais que ninguém saiba ou veja o que fazemos, tudo é registrado nas profundezas de nossa vida.

O budismo considera não somente esta vida mas também todas as incontáveis existências já vividas desde o infinito passado. Nascemos, vivemos e morremos inúmeras vezes mas, o nosso “eu fundamental” permanece como essência eterna da vida. Para entender os resultados da nossa vida, é importante analisar as causas que geramos constantemente, desde o infinito passado. Para simplificar, de maneira superficial, classifiquemos todas essas causas em positivas e negativas. Figurativamente, colocando as causas negativas num prato da balança e no outro prato as causas positivas, podemos analisar o seguinte:

Se o prato de causas positivas pender mais, isto significa que são mais causas positivas do que negativas. Então, desfrutaremos dos efeitos positivos de todas essas causas. Isso não quer dizer que as causas negativas não terão seus efeitos. Se existe a causa, o efeito se manifesta infalivelmente, cedo ou tarde, em algum momento da vida. Mas, como os efeitos positivos são mais abundantes devido ao balanço positivo das causas acumuladas, a vida terá mais felicidade que sofrimentos.

Seguindo o mesmo raciocínio, se o prato da balança pender mais para o lado das causas negativas, significa que foram feitas mais causas negativas do que positivas e viveremos uma vida infeliz, arraigada nos numerosos sofrimentos decorrentes dessas causas.

Naturalmente, a vida não pode ser equacionada tão simplesmente assim. A dinâmica da vida avança num complexo emaranhado de fatores interdependentes que estabelece o destino ou carma da pessoa. No entanto, o exemplo da balança ilustra a essência do processo pelo qual age a Lei de Causa e Efeito.

Portanto, independentemente de nossa atual condição de vida, é imprescindível que a cada dia acumulemos mais e mais causas positivas a fim de construir a verdadeira felicidade.


Fontes da pesquisa: Terceira Civilização, edição no 369, maio de 1999, “Causa e efeito: A lei mais rigorosa da vida”. Guia Prático do Budismo.

A Lei de Causa e Efeito


Lei de Causa e Efeito (1)
(Brasil Seikyo, edição nº 1593, 24/02/2001, página 6.)


A vida, repleta de incertezas, muitas vezes nos parece injusta. Alguns sofrem por questões financeiras, outros por doenças ou desarmonia familiar. Almejamos a felicidade, porém, somos surpreendidos por adversidades (desemprego, acidentes, desavenças, entre outros) ou simplesmente nos acostumamos com nossa condição de vida precária. E a tal felicidade parece ser um sonho distante.

Sobre este ponto, o presidente Ikeda orienta: “As pessoas da sociedade atual podem ser comparadas a um navio que perdeu a bússola no meio do oceano. Sem um guia correto para dirigi-las, elas navegam sem rumo para o futuro. Ter uma vida feliz — este é o desejo acalentado por toda a humanidade. Esta é a razão pela qual, desde a Antiguidade, as pessoas têm procurado religiões, e várias teorias têm sido expostas como fontes da felicidade. Quantos podem dizer que já se sentem bem-sucedidos em obter uma resposta satisfatória para todas as suas perguntas? Há uma tendência abrangente na sociedade atual, proeminente em especial entre as gerações mais jovens, de desvalorizar a vida humana, incluindo a sua própria. Acredito que essa tendência advém da ignorância da lei de causa e efeito.” (Guia Prático do Budismo, pág. 1.)

Quando falamos em causa e efeito, imaginamos uma série de situações do dia-a-dia em que se observa claramente a relação entre a ocorrência do fato e o motivo que o causou. Assim, dizemos, por exemplo, que uma determinada pessoa sofreu um acidente automobilístico devido à alta velocidade com que estava dirigindo; que um estudante passou nos exames por ter estudado as matérias com afinco; que uma inundação foi causada por uma forte chuva; ou ainda, que a causa de um incêndio foi um curto-circuito na instalação elétrica.

Mas ocorrem também muitos acontecimentos cujas causas não conseguimos enxergar de forma muito clara. A dificuldade de perceber essas causas torna-se ainda maior especialmente quando se trata de fatos negativos relacionados à própria vida.

O Budismo de Nitiren Daishonin esclarece que todas estas questões podem ser observadas sob a luz da rigorosa Lei da Causalidade que permeia todo o universo. Na escritura “Carta de Sado”, Daishonin escreve: “Um indivíduo que escala uma montanha conseqüentemente terá de descer. Uma pessoa que insulta uma outra será desprezada. Alguém que deprecia o belo nascerá feio. Quem rouba o alimento e as roupas de outros nascerá no mundo da fome... Esta é a usual lei de causa e efeito.” (As Escrituras de Nitiren Daishonin [END], vol. 1, pág. 203.)

Sob o ponto de vista budista, a lei de causa e efeito é rigorosa e abrange o passado, o presente e o futuro de nossas existências. Produzimos causas boas ou ruins a todo instante, com pensamentos, palavras e ações, ou seja, nossa vida atual é efeito de causas geradas no passado e no presente e, portanto, esses resultados são de nossa única e exclusiva responsabilidade. Na escritura “Abertura dos Olhos” consta a seguinte passagem: “O Sutra Shinjikan afirma: ‘Se deseja compreender as causas que existiram no passado, veja os resultados que são manifestados no presente. E se desejar compreender quais resultados serão manifestados no futuro, olhe as causas que existem no presente.’” (END, vol. 2, pág. 164.)


Fontes da pesquisa: Terceira Civilização edição no 369, maio de 1999, “Causa e efeito: A lei mais rigorosa da vida”. Guia Prático do Budismo.

Dez Estados de Vida (jikkai) - Conclusão



(Brasil Seikyo, edição nº 1620, 15/09/2001, página A6.)


Na escritura “Carta de Ano Novo”, Nitiren Daishonin afirma: “Considerando a questão de onde estão o inferno e o Buda, um sutra diz que o inferno está debaixo da terra, enquanto um outro diz que o Buda está no Oeste. Entretanto, uma análise mais cuidadosa revela que ambos existem em nosso próprio corpo. De fato, o inferno está no coração da pessoa que insulta seu pai ou desrespeita sua mãe. É como a semente de lótus que contém tanto a flor como o fruto. Da mesma forma, o Buda habita nosso coração. Por exemplo, a pederneira contém o potencial para produzir fogo e as jóias possuem um valor intrínseco. Nós, seres humanos, não enxergamos nem nossos próprios cílios, que estão tão próximos, nem o céu distante. Da mesma maneira, não conseguimos compreender que o Buda existe em nosso coração.” (As Escrituras de Nitiren Daishonin, vol. 1, pág. 413.)

Com a recitação do Nam-myoho-rengue-kyo e com a propagação do budismo, uma pessoa eleva cada vez mais sua condição de vida, fazendo com que o estado de Buda prevaleça e domine os demais estados, o que faz com que ela manifeste sabedoria para não ser arrastada pelas circunstâncias externas da vida.

Quando almejamos o estado de Buda e oramos Daimoku para esse fim, adquirimos energia vital e começamos a elevar o estado de vida que nos encontramos e vencemos os limites dos baixos estados, que nos prendem em nosso mau carma. Assim, elevamos a forma de encarar a vida e agimos com sabedoria no dia-a-dia. O que era complicado se torna fácil de ser resolvido. Em meio às situações insustentáveis, descobrimos meios ou surgem efeitos de causas do passado que decisivamente mudam as circunstâncias negativas de nossa vida. Com isso, comprovamos que “não há oração sem resposta” e “não existe beco sem saída” com a prática do budismo.

É infinitamente gratificante descobrir que o benefício não é “algo que vem de fora”, e sim está inerente em nossa vida. E a prática da fé possibilita sua manifestação.

O budismo baseia-se na convicção do potencial ilimitado inerente ao ser humano, que pode transformar tudo. Esse infinito potencial é chamado de estado de Buda. Almejar estados de vida mais elevados é libertar esse potencial. Por essa razão, praticar o budismo é a mais elevada causa que gera os mais elevados benefícios. Este é o motivo básico da recitação do Nam-myoho-rengue-kyo e o motivo de encorajar outras pessoas a fazerem o mesmo

Os Quatro Nobres Caminhos


(Brasil Seikyo, edição nº 1619, 08/09/2001, página A6.)


Os quatro estados de vida mais elevados — Erudição, Absorção, Bodhisattva e Buda — formam os “Quatro Nobres Caminhos”.

• Erudição: É a condição experimentada por uma pessoa que luta por um estado duradouro de contentamento e de estabilidade por meio da auto-reforma e do desenvolvimento próprio. Nesse estado, a pessoa dedica-se à criação de uma vida melhor, buscando idéias, conhecimentos e experiências de seus predecessores. A condição vivida por um cientista ao desenvolver pesquisas em busca de novas descobertas exemplifica esse estado.

• Absorção: É semelhante ao estado de Erudição, pois trata-se de uma condição em que a pessoa também busca a auto-reforma. Porém, não busca experiências com seus predecessores, consegue perceber os fenômenos da natureza sozinha. Os artistas e os filósofos vivem comumente nesse estado.

Os estados de Erudição e Absorção são conhecidos como “Dois Veículos”, pois conduzem as pessoas para uma certa independência na vida por meio da percepção obtida da verdade parcial. Contudo, nos “Dois Veículos”, as pessoas ficam apegadas à percepção para o bem de si mesmas e não lutam para beneficiar os outros.

• Bodhisattva: A pessoa nesse estado manifesta uma vida plena de benevolência e sua característica é dedicar-se à felicidade de outras pessoas. Essa benevolência difere essencialmente do conceito de caridade ou compaixão, e sua definição exata é “retirar o sofrimento e dar felicidade”. A caridade e a compaixão podem aliviar o sofrimento, mas não conseguem retirá-lo e nem dar a felicidade. A principal característica das pessoas nesse estado é a busca constante do estado de Buda, ao mesmo tempo em que procuram ensinar esse caminho para que outras tornem-se capazes de manifestar a força inerente da vida para conquistarem a felicidade absoluta.

• Estado de Buda: Constitui-se de uma condição de vida em que a pessoa adquire sabedoria que lhe permite compreender a verdadeira essência da vida, manifestar a profunda benevolência para com todas as pessoas e ter a percepção sobre as três existências da vida e sobre a Lei básica do universo. É uma condição de felicidade absoluta que nada pode corromper. Da mesma forma que nenhum estado de vida é estático, o estado de Buda é experimentado no decurso das contínuas atividades altruísticas diárias. Portanto, não se deve considerar o estado de Buda como objetivo máximo a ser alcançado somente no final da vida.

Cabe ressaltar que os Dez Estados de Vida, inclusive os Quatro Nobre Caminhos, estão todos inerentes na vida de todas as pessoas. Na escritura “O Verdadeiro Objeto de Devoção”, Nitiren Daishonin afirma: “A transição de tudo está clara para nós, porque o estado dos Dois Veículos (Erudição e Absorção) está presente nos seres humanos. Mesmo um frio vilão ama sua esposa e filhos. Ele, também, tem o Bodhisattva dentro da sua vida. O Estado de Buda é o mais difícil de demonstrar, mas desde que os outros nove mundos na realidade existem como estados da vida humana, o senhor deve ter fé de que o Estado de Buda também existe dentro da sua vida.” (As Escrituras de Nitiren Daishonin, vol. 1, pág. 56.

Os Seis Caminhos


Os Quatro Maus Caminhos acrescidos dos estados de Tranqüilidade e Alegria constituem os Seis Caminhos, que se caracterizam basicamente pela busca da satisfação dos desejos pessoais.

• Tranqüilidade: É uma condição em que a pessoa pode controlar temporariamente seus impulsos e desejos com a razão. Assim, passa a ter a vida tranqüila e em harmonia com o ambiente em que vive. Não considera os problemas como ameaça a sua aparente estabilidade. As energias da vida estão sob considerável controle, imbuídas do desejo de viver em meio à afeição de parentes e amigos e em paz com seus próprios conceitos de moral e ética. Porém, pode cair instantaneamente nos “Três ou Quatro Maus Caminhos” pelo mais leve desvio ocorrido em suas circunstâncias de vida. De toda forma, Tranqüilidade é o estado normal dos seres humanos e é conhecido também como o estado de Humanidade.

• Alegria: É uma condição de vida de contentamento que se origina da concretização dos desejos e da solução dos problemas. Portanto, é um estado comumente almejado pelas pessoas como sendo de plena felicidade. As situações da vida, tais como: aquisição de nova casa, ingresso em universidade, casamento, jantar em um restaurante de primeira categoria, aprovação em bom emprego, solução de um problema de saúde, e muitas outras, representam naturalmente um momento de muita felicidade. Porém, como este estado está diretamente associado a uma determinada realização, como por exemplo a conquista de um bem material ou posição social, a felicidade é apenas relativa. Em outras palavras, a alegria desse estado é efêmera e desaparece com o passar do tempo ou com a mudança das circunstâncias.

A maioria das pessoas encontra-se nos Seis Caminhos, vivendo de acordo com suas próprias visões de vida. Não conseguem cultivar a benevolência de lutar pelo bem de outras e não possuem consciência da missão essencial como ser humano.

Como cada um desses seis estados manifesta-se de acordo com as causas externas, as pessoas vivem aprisionadas e em completa dependência das circunstâncias. Essa é a característica principal dos Seis Caminhos. São estados em que as pessoas são arrastadas exclusivamente pelas influências externas, ficando privadas da liberdade de manter autocontrole sobre as circunstâncias de sua vida. Por esta razão, costuma-se dizer que as pessoas vivem diariamente nos Seis Caminhos

Tres e Quatro Maus Caminhos


Os quatro mais baixos estados da vida, conhecidos como Quatro Maus Caminhos, são:

• Inferno: É a condição de vida mais baixa dentre os dez estados. Nele, a pessoa vive em um sofrimento constante em que não tem forças para influenciar suas circunstâncias de vida, nem esperanças com relação ao futuro; não pode fazer nada do que gostaria, nem mesmo desabafar suas angústias.

• Fome: É caracterizado pela obsessão de realizar os desejos e pela incapacidade de satisfazê-los. Nesse estado, as pessoas são completamente dominadas e controladas por desejos insaciáveis e terríveis insatisfações. São infelizes e impedidas de se desenvolverem e prosperarem.

• Animalidade: É um estado de vida em que as pessoas são conduzidas unicamente pelos instintos, agem compulsivamente com irracionalidade e sem moralidade. O fundamental de suas ações é aproveitar-se dos mais fracos e bajular os mais fortes. As pessoas nesse estado perdem o sentido da razão e suas emoções são facilmente dominadas pelo medo e pela covardia. Além disso, não conseguem encontrar soluções nem esperanças e resignam-se diante do destino.

Estes três estados formam os Três Maus Caminhos.

• Ira: É o quarto estado de vida que, associado aos Três Maus Caminhos, formam os Quatro Maus Caminhos. Nesse estado, as pessoas possuem consciência de seus atos, embora embasadas em pontos de vista distorcidos do certo e do errado, enquanto nos Três Maus Caminhos elas não têm controle sobre a vida, pois são completamente dominadas pelos desejos. No estado de Ira, as pessoas preocupam-se única e exclusivamente consigo mesmas, com seus próprios benefícios, pouco se importando com os demais ou com seus pontos de vista. São conduzidas pelo egoísmo e pela ambição de ser superior, derrubando outras pessoas.

As pessoas nesses quatro estados carecem de energia vital e não respeitam outros pontos de vista, procurando sempre satisfazer seus próprios desejos vorazes. São completamente destituídas de uma visão mais elevada, por isso, resolvem as questões à sua própria maneira, invariavelmente gerando mais causas negativas na vida que, por sua vez, resultam em efeitos negativos na forma de sofrimentos. Esse ciclo se repete constantemente, aprisionando a pessoa no seu mau carma. As pessoas que vivem nos Quatro Maus Caminhos não possuem uma visão de vida melhor. São conformistas por natureza e acham que a vida é somente da forma como vivem. Por isso, mergulhadas no egoísmo, são destituídas de qualquer sentimento altruísta de contribuir de alguma forma para a felicidade de outros.

Vencer o estado de Ira determina a felicidade na vida




Pergunta: Muitas vezes, apesar de estarmos praticando o budismo, acabamos manifestando estados negativos de vida, como por exemplo o estado de Ira. Por quê?

Resposta: Logo que começamos a praticar o Budismo de Nitiren Daishonin, um dos primeiros princípios que aprendemos é Os Dez Estados da Vida, também conhecidos como Dez Mundos. Trata-se de uma teoria profunda e prática que esclarece, com simplicidade, as complicadas questões da vida.

Dentre Os Dez Estados da Vida, há os quatro inferiores, conhecidos como Os Quatro Maus Caminhos. O quarto deles é o estado de Ira, no qual as pessoas possuem consciência de seus atos, embora sem discernimento sobre certo e errado. Além disso, no estado de Ira, as pessoas preocupam-se apenas consigo mesmas, com seus próprios benefícios, pouco se importando com as demais e seus pontos de vista. São conduzidas pelo egoísmo e sentem-se superiores, derrubando outras.

No escrito “As Barragens da Fé” consta: “Há vários graus de calúnia. Mesmo entre as pessoas que abraçam o Sutra de Lótus, poucas são aquelas que o sustentam firmemente tanto na mente como na ação. Porém, aquelas que o mantêm com firmeza não sofrerão grave conseqüência, ainda que tenham cometido ofensas contra o budismo. A sólida fé expiará os efeitos tão seguramente quanto uma enchente extingue as chamas.”

Em nosso dia-a-dia, as maldades manifestam-se com a intenção de impedir nosso avanço. É como uma regra. Para todo esforço para frente há uma força contrária. Em tese, com base no ponto de vista do budismo, a vida é uma constante batalha contra essas maldades. Sendo assim, há muitas situações em nossa vida que decorrem destas manifestações, mas não percebemos que estamos sendo influenciados por elas.

Da mesma forma acontece com o estado de Ira. Mesmo exercitando a prática budista, muitas vezes não percebemos que estamos vivendo neste nível de vida. Por exemplo, uma pessoa que recita várias horas de Daimoku por dia, mas na primeira oportunidade não hesita em criticar ou mesmo ofender e agredir o outro. Ou aquela que também recita bastante Daimoku, participa ativamente nas atividades, mas vive em conflitos com outros, impondo seus pontos de vista ou não aceitando os dos outros.

O nosso estado de vida é conseqüência do acúmulo de atitudes positivas e negativas que realizamos ao longo da nossa vida. Ao mesmo tempo, influencia o modo de enxergarmos as coisas. Por exemplo, um acidente de carro pode ser resolvido por uma simples discussão e conseqüente entendimento. Entretanto, os envolvidos automaticamente optam pelo estado de Ira e tentam resolver o assunto com xingamentos, ofensas e até palavrões. Para quebrar este ciclo vicioso, é necessário uma prática verdadeiramente correta e uma firme determinação que seja capaz de elevar nosso estado de vida e atrair situações que nos estimulem a fazer cada vez mais causas positivas e não as negativas. Eis o que o presidente Ikeda afirma: “O nosso estado de espírito determina a nossa vida. A conseqüência de tudo o que realizamos — se seremos felizes ou miseráveis — é decididamente afetada pela nossa atitude básica.”
www.bsgi.com.br

NAM MYOHO RENGUE KYO(DAIMOKU)

* Essa matéria é para praticantes que estão iniciando no budismo 'chakubukus' *

Inicialmente para nós ocidentais, a prática do budismo de Nitiren Dashonin pode parecer um tanto quanto estranha (principalmente porque o mantra está escrito em chinês clássico com um pouco de sânscrito). Mas acredite, é justamente aí que reside a chave para o grande sucesso que alavanca a boa sorte das profundezas da nossa vida.
A prática budista consiste basicamente na recitação contínua dos caracteres NAM - MYOHO - RENGUE - KYO (lê-se: Nam - Miôrro - Rengue - Kiô).
Se desejar entender melhor o significado primeiro do mantra, clique aqui: Nam Myoho Rengue Kyo

Como praticar o budismo? Você deve sentar com a postura bem ereta de frente para uma parede lisa (entenda lisa como sem quadros, moveis, ou coisas que distraiam sua atenção). Uma vez sentado assim, você deve de olhos abertos focalizar sua visão num ponto na parede (se for preciso faça esse ponto com um lápis). Junte as palmas das mãos abertas e coloque-as na altura do coração.
O lugar deve estar silencioso, e você deve se concentrar naquele ponto. Se possível, mantenha sua mente em pensamentos positivos, desejos sinceros e muita gratidão no coração. Por outro lado, não se incomode se sua mente divagar em pensamentos que não lhe pareçam alheios ao que você considera bom ou justo para a sua vida. Lembre-se que nós possuímos, todos nós, os 10 estados de vida. E estes se manifestam conforme diversas condições internas e externas, conforme fortes ou fracos estivermos.
Recite sua voz, sem ser muito alto e sem ser murmúrio, num som agradável e que não incomode as pessoas: NAM MYOHO RENGUE KYO - NAM MYOHO RENGUE KYO - NAM MYOHO RENGUE KYO... Recite continuamente o tempo que for necessário ou que você desejar. Inicialmente as pessoas costumam recitar de 5 a 15 minutos. Entretanto algumas pessoas de altíssima determinação (ITINEN) começam já fazendo meia hora senão 1 hora completa.
Mas não se preocupe em fazer pouco ou muito tempo. O mais importante é você fazer com seriedade e muita sinceridade. Lembrando que como mortais comuns existem um estado de Buda a ser manifestado - e ao manifestá-lo conseguimos adquirir, portanto, o corpo de um Buda.
Faça a prática budista de manhã e a noite. Todos os dias.

O que esperar com a prática budista? A prática do Nam Myoho Rengue Kyo (Daimoku) é muito simples, mas com um amplo sentido e significado. Uma vez que você deseja com seu espírito de procura entender mais do budismo, irá compreender ainda mais para que serve a prática. Em termos gerais, a prática permite que elevemos nosso estado de vida proporcionando a capacidade de enxergar o mundo com mais sabedoria, mais coragem e mais benevolência. Essas três características despertam todas as funções vitais necessárias para lidarmos bem com as pessoas que nos rodeiam, com o ambiente que nos cerca e consequentemente atraindo toda a boa sorte possível.
De um ponto de vista um pouco mais aprofundado, a prática conduz ao conceito de amenização do karma (karma significa apenas ação - todas as ações, sejam elas positivas ou negativas).
Existe muito a se aprender sobre essa profunda Lei. O mais importante é você com sua fé ser capaz de enxergar os benefícios da prática na sua própria vida, só assim você conseguirá entender de coração porque milhões de pessoas em mais de 190 países recitam daimoku.
Recitar daimoku é muito importante. Mas é importante salientar que para manter a prática é preciso estudar, procurar grupos e reuniões budistas e estar com o coração aberto para o mundo, para as pessoas e para o seu desejo sincero de transformar toda maldade que se encontra no único lugar onde ela reside- dentro de nós mesmos.
Boa sorte bodhisattva!
Nam Myoho Rengue Kyo
Nam Myoho Rengue Kyo
Nam Myoho Rengue Kyo
Na filosofia budista estas circunstâncias - nas quais os pensamentos e emoções conduzem ao sofrimento e a confusão mental - são consideradas como desejos mundanos.
Mas, o que eles representam? Basicamente, os desejos mundanos são representados pela avareza, ira, estupidez, arrogância, dúvida e desejos doentios. De forma secundária, inclui devassidão, inconstância e diversos outros tipos de desejos.
Os primeiros três desejos citados acima: Avareza, Ira e Estupidez, são chamadas de três venenos. A avareza significa tornar-se um escravo da fome, dos desejos sexuais, do ato de dormir, pela busca fama, entre outros. A ira significa o ódio nutrido pelo indivíduo ou o estado em que estamos sendo controlados pelas nossas emoções impulsivas. A estupidez se refere a incapacidade de compreender a verdadeira natureza das circunstâncias. Assim, se observarmos de forma precisa as nossas vidas, podemos dizer que muitas vezes somos levados pelos três venenos. Além disso, pode-se acrescentar que em inúmeras ocasiões, o nosso sofrimento tem origem no desejo A iluminação é interpretada como o caminho, a sabedoria e a realização, isto é, despertar para a verdade e alcançar a felicidade. Em outras palavras, os desejos mundanos se transformam em iluminação no momento em que conseguimos controlar e direcionar os nossos impulsos de forma sábia e concreta e não quando tentamos meramente extinguí-los.
Finalizando, o princípio de – Os Desejos mundanos São a Própria Iluminação – nos capacita a alcançar uma alegria indestrutível em nossas vidas, pois é uma filosofia que nos proporciona a oportunidade de revitalizarmos a nossa postura diária com relação aos nossos próprios impulsos e como praticantes do budismo de Nitiren devemos edificar uma sólida fé através da recitação do Nam-myoho-rengue-kyo para que possamos manifestar toda a sabedoria de um Buda em nossas ações cotidianas.

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